
Hoje o meu pai está de aniversário. 64 anos. Lembro-me de que no seu aniversário de 63 anos, poucos dias antes de partir, eu disse em seu ouvido (fazia mais de dois meses que eu o visitava e não tinha avistado reações): ‘pai, nós vamos comemorar outros aniversário juntos’ e caiu uma lágrima no rosto do meu pai. Tive a certeza (dolorida), que não tivera em outros encontros, de que ele me ouvia e de que queria muito ficar conosco. Só não sei se já acreditava nisso após tantos dias naquele inferno que chamam de hospital. Eu tinha tanta convicção de que ele fosse ficar! Queria tanto ouvi-lo contar da experiência do hospital como algo longe e terrível que tivesse acontecido em sua vida. Uma experiência tão longa e desagradável tinha que ter um sentido bom (!). Queria vê-lo em casa tomando chimarrão ainda que cercado de remédios. Queria poder contar com ele como era de costume. Eu queria isso não só de um modo egoísta por querer a presença dele, mas porque eu tenho certeza de que ele queria estar aqui e merecia isso. Não consigo compreender. Ninguém sabe da dor do outro. Ninguém jamais vai saber o que é ter um pai como eu tive. Pai de todos os momentos (sem exceção), pai que cuida, que orienta e que reprime; amigo e conselheiro. Pai, esteja bem e cuida da gente. Ajude-nos a aceitar e compreender o que é possível aceitar e compreender. O resto, o incompreensível, pretendo discutir com você, pessoalmente, um dia.
Feliz aniversário, pai. Estou com você neste dia.
Beijos de sua filha, Monalisa.
Feliz aniversário, pai. Estou com você neste dia.
Beijos de sua filha, Monalisa.